Além de aumento de mais de 300% na tarifa, moradores de Bady Bassitt podem estar recebendo água sem tratamento

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O que a gente pensa que só acontece na região norte e nordeste do país, onde moradores de pequenas cidades do sertão bebem água sem tratamento, aqui na região da Gazeta parece que estamos vivendo a mesma situação. Moradores do bairro Remanso dos Coqueiros podem estar tomando água sem ser potável. Além da falta de tratamento, a reclamação da maioria dos moradores é o valor auto que vem sendo cobrado pela prefeitura.

Eduardo Silvestre mora no bairro Honório Gumercindo de Morares e é um dos consumidores que sentiu no bolso esse aumento. Ele explica que de um mês para o outro o reajuste foi de mais de 210%. “A gente pagava uma média de R$ 13 e no mês seguinte veio R$ 40,00”, diz.

Situação ainda pior é a da dona de casa Rosemeire Duarte Mendes. Ela mora na Avenida Borboleta e diz que este mês vai pagar R$ 85,00 pela conta de água, sendo que sempre pagou cerca de R$ 20,00, representando assim um aumento de 325%. “Eu não sei o que vou fazer para pagar essa conta. Sou aposentada, ganho pouco e como que vou fazer para pagar essa conta absurda”, questiona.

Outra situação preocupante e que tem deixado os moradores do bairro Remanso dos Coqueiros de cabelo em pé é o fato da água que eles estão recebendo pode estar sem tratamento.

Uma dona de casa que preferiu não ser identificada, conta que já contratou um químico para fazer uma análise da água que ela recebe na torneira de casa. O laudo apontou que a água que a família dela consome não recebe nenhum tratamento.

Moradora do local há mais de 20 anos, a mulher já passou por três cirurgias por complicações nos rins. Hoje além de comprar água para beber, ela também foi obrigada a instalar filtros nas torneiras.
Ela conta ainda que um bairro próximo do dela a mesma análise na água também foi feita e lá a água está recebendo tratamento. “Porque só o nosso bairro que está desse jeito”, questiona.

A aposentada Edna Elza Fernandes mora no Remanso dos Coqueiros há sete meses. Ela conta que por enquanto não tem notado diferença na água que consome. “Só que fica difícil a gente saber se a água está tratada ou não, pois não somos químicos, não é verdade”, fala.

Há poucos metros da casa da dona Edna existe um poço que está em plena atividade e que abastece o bairro. No local não há caixa d’água ou nenhum reservatório que indique que aquela água está recebe algum tipo de tratamento.

O prefeito de Bady Bassitt, Edmur Pradela, disse que desconhece o fato e que tem uma bióloga que percorre todos os poços da cidade realizando análises e o tratamento devido. “Se a gente não tratar a água, vamos ter dois problemas, um que é o cidadão ficar doente e outro que vamos gastar com ele no SUS, por que ele vai ser atendido lá”, afirma.

Sobre análise feita na casa da dona de casa, o prefeito se comprometeu em apurar a situação. “Pode ser que eu não esteja sabendo do que está ocorrendo. Vou tomar providência e procurar saber o que está acontecendo naquele bairro. Vou pedir para a bióloga colher amostras daquela água e me apresentar”, afirmou.

Sobre o aumento na tarifa, Pradela alegou que é impossível administrar um sistema de água sem recursos. “Fizemos um levantamento e notamos que era necessário esse reajuste. A cidade estava há décadas sem ter reajuste nas tarifas de água e esgoto. Temos despesas com a lagoa de tratamento que custou R$ 6 milhões. Além do mais, tem uma dívida na prefeitura de R$ 700 mil de pessoas que não pagava água quando o valor era de R$ 4. Peço ainda que economizem água. O povo está usando de forma errada o bem mais precioso da humanidade e sabemos que a água dos poços de Bady pode acabar”, justifica.

“Além de pagar tão caro, estamos tendo que beber água sem tratamento? Assim não dá”, fala revoltada, a aposentada Edna.

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de julho de 2014)

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