Adolescentes ‘tocam’ o terror e espalham onda de furtos e roubos em Potirendaba

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Após a denúncia da Gazeta em dezembro do ano passado de que a Praça Matriz de Potirendaba serve de abrigo para criminosos, uma onda de assaltos e furtos envolvendo adolescentes na cidade tem tirado a paz dos moradores. Em menos de dois meses, cinco crimes envolvendo estes jovens foram registrados no município de pouco mais de 16 mil moradores.

Confiantes e amparados pela lei, adolescentes e crianças furtam, roubam e até matam sabendo que não podem ser presos. Em menos de 60 dias estes jovens tem tocado o terror na cidade praticando desde furtos, sequestros e até roubos com o emprego de arma de fogo.

O que mais chama a atenção é a ousadia e a forma como estes jovens agem. Pés e mãos franzinos, corpo e rosto de uma criança, mas uma mente criminosa, adulta e que não tem dó nem piedade para agir.

Fumam maconha, crack, cheiram cocaína, bebem, dirigem, usam armas e andam soltos como se fossem passarinhos que não pudessem ser aprisionados. Lei? Autoridades choram de raiva para poderem punir, mas as leis que amparam estes jovens não deixam que nada aconteça com eles.

“Eu pensei que fosse morrer nas mãos deles”. Este é o relado de um idoso de 68 anos que viveu momentos de terror na noite do último dia 31 de dezembro. R.S. que prefere não ser identificado por medo, conta que chegava em casa na noite de réveillon sozinho quando estacionou o carro e desceu para abrir o portão.

“No que eu abri o portão os quatro apareceram do nada, já me deram um golpe de gravata e me trancaram dentro do porta-malas do carro. Arrombaram a porta de casa e fizeram o limpa. Levaram televisão, bicicleta, dinheiro e perfumes. Eles são perigosos e violentos”, relata o idoso. Os infratores eram três meninos e uma menina com idades entre 13 e 15 anos.

A Gazeta do Interior tem mostrado nos últimos meses o número de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes em Potirendaba. A ousadia é tanta que em outubro do ano passado dois meninos de 15 anos foram detidos com maconha dentro de uma sala de aula de uma escola municipal da cidade.

Conforme o jornalismo da Gazeta ainda mostrou, em dezembro, na edição impressa, a Praça da Matriz tem se tornado ponto de encontro destes infratores. Segundo a Polícia Civil do município, local de encontro para a mesma quadrilha que pratica quase todos os crimes da cidade.

Uma das primeiras ações do bando foi ao departamento de Recursos Humanos da prefeitura do município na madrugada do dia 1º de dezembro. Segundo o departamento de investigações da Polícia Civil, após serem identificados, os três adolescentes de 12, 14 e 15 anos contaram que era por volta de 1h estavam na Praça Matriz quando planejaram praticar o crime. Eles entraram pela porta da frente e levaram três computadores, cheques e documentos.

No dia 12 de dezembro, outros três menores foram detidos no município depois de furtarem um carro, em São José do Rio Preto. Após cometerem o crime, a Polícia Militar recebeu denúncia de que os meninos estariam em Potirendaba e com apoio da Guarda Municipal, os agentes conseguiram deter um deles que estava andando com o veículo por um bairro da cidade.

Após confessar o furto na cidade vizinha, o jovem informou que os outros meninos estavam no bairro Vila Divinéia, onde foram encontrados em uma casa. Dois adolescentes de 17 anos e um de 14 foram detidos e levados para a delegacia da cidade. No carro havia caixas de leite, um notebook, dinheiro e objetos pessoais da vítima.

Já no fim de janeiro uma loja de chinelos no centro da cidade foi arrombada pelo mesmo trio que furtou o RH da prefeitura. Diversos chinelos e dinheiro do caixa foram levados.

Poucos dias depois foi a vez de uma loja de semi joias que fica menos de um quarteirão do outro comércio ser arrombada. Apenas com boné e blusa de frio, imagens do circuito interno do local mostram o momento em que eles entram, pegam diversos objetos e fogem. Agora em fevereiro um adolescente foi detido na cidade por tráfico de drogas pela Polícia Militar com 17 porções de maconha, um celular, um soco inglês e dinheiro.

O que aconteceu com estes adolescentes?

Absolutamente nada. O Setor de Investigações da Delegacia do município conseguiu identificar e apreender os suspeitos de todos os crimes relatos nesta reportagem. Praticamente todos os objetos foram devolvidos às vítimas, mas fator preocupante é que todos são apenas ouvidos e liberados aos pais e no dia seguinte estão praticando crimes novamente.

O que diz o Ministério Público?

De acordo com o Ministério Público de Potirendaba, cerca de cinco adolescentes por mês passam pela promotoria por mês. Todos os casos relacionados ao furto, roubo e consumo ou tráfico drogas.

Mesmo com a dificuldade da punição, o MP realiza um estudo social, ouve os pais e o menor e dependendo do tipo de crime, a punição acaba sendo revertida em prestação de serviços à comunidade. Casos de internação a promotoria diz que acontecem apenas quando há reincidência ou descumprimento de medida ou no mais extremo, casos de homicídios ou com emprego de violência física.

Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de fevereiro de 2017. A reportagem completa da prisão desta quadrilha está na edição impressa deste mês. Assine já!
(Fotos: Divulgação Polícia Civil)

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