Achei uma luz no meu caminho! Ex-usuários de drogas encontram a salvação

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É normal e frequente vermos em todos os meios de comunicação apreensões de drogas, roubos, furtos e demais crimes com a participação de jovens no tráfico de entorpecentes como aconteceu recentemente em Tabapuã, uma adolescente de 15 anos foi apreendida. No entanto, muitas pessoas entram nesse mundo por incentivo de falsos amigos, por curiosidade e depois sofrem para inibir o uso.

Foi pensando nessas pessoas que instituições e agentes vêm fazendo ações e tentando salvá-los do mundo das drogas. É o caso da Associação Lar São Francisco de Assis, com sede na cidade de Jaci (SP) e alojamentos em várias outros municípios do Estado, inclusive Tabapuã que conta com dezenas de internos.

“Os que ficam aqui em Tabapuã, são pessoas que já se trataram uma vez, mas tiveram recaídas, o que é um pouco mais complicado, pois envolve ainda o sentimento de culpa.” Conta o responsável pela casa, Frei Ângelo.

De acordo com o Frei, para uma pessoa se curar da dependência, o primordial é querer e ter apoio da família. “A pessoa tem que querer sair disso sozinha. Não adianta a família forçar, obrigar a vir até aqui. A família na verdade tem que andar junto, sempre apoiando”, completa.

Em Tabapuã, a associação conta com mais de três alqueires de terra. No local os pacientes podem jogar bola em um mini campo de futebol, fazer diversas atividades como jardinagem, cuidar da horta que cuja verba da venda é revertida para a casa. “Aqui, todos são acompanhados por psicólogos, enfermeiros, psiquiatras, assistentes sociais que conversam e mostram o caminho a ser seguido individualmente, no entanto, existem várias atividades em grupo e todas com base na religião. Lembrando que respeitamos a religião de cada um, mas aqui eles devem acreditar em algo maior, no caso, Deus”. Conta o Frei.

Além do interno, a família também passa por uma análise e com algum tempo pode levar o paciente para passar o fim de semana em casa. “Nossa, é tão bom poder voltar pra casa, ver minha esposa, meus filhos e o que é melhor, poder aproveitar os momentos perto deles. Agora dou valor a cada coisa que me acontece”. Disse um dos usuários que, por ordem na casa, não pode ser identificado.

“Entrei nesse mundo com 12 anos, usava de tudo. Cheguei até roubar e só fui me dar conta do que tava acontecendo quando comecei a perder o que eu tinha. Minha esposa, meus pais, não me queria mais. Meus “amigos”, um morreu, outro preso, aí caiu a minha ficha de que nada daquilo que eu estava vivendo era bom e decidi me tratar. Fiquei vários meses sem usar nada, tive alta e meses depois, por um deslize, fui inventar de beber e tive uma recaída”, continua.

Para a maioria dos internados, a culpa da recaída nas drogas é a bebida. “Ninguém acha que o álcool pode fazer mal, mas uma cervejinha ali, uma cachacinha lá, aos poucos isso te deixa “alegre” e você volta. Se sente confiante para voltar a usar outras drogas ainda mais fortes”, conta outro interno que veio do Nordeste do país para se tratar.

A associação se mantém com recursos próprios e campanhas feitas pela população. Uma das festas mais famosas realizadas é a do Milho em Jaci, conhecida já em todo o Estado por fazer diversas guloseimas com a matéria prima. Em Tabapuã, acontece a festa da Mandioca que deve ser realizada em breve. “Todos ficam aqui de graça, quem pode ajudar com uma cesta básica a gente agradece, mas não é obrigatório pagar nada. Recebemos muita ajuda da população que sempre nos acolheu de braços abertos e sempre que podemos também ajudamos.

Recentemente recebemos centenas de roupas aqui e que não nos serviu encaminhamos para outras instituições”, afirma Frei Ângelo.
Questionados sobre como se viam daqui a um ano, todos afirmaram a mesma coisa: “Me vejo bem, livre das drogas e muito feliz com a minha família do lado e, claro, trabalhando”, outros mais ousados continuaram: “Me vejo aqui, dando palestra e falando para os outros que eu consegui, que eu quis e eu venci. Mostramos aqui, que existe uma salvação. Que existe uma luz no fim do túnel e que com força de vontade e muita fé em Deus, todos conseguem o que querem por mais difícil que seja”, finaliza o frei.

(Fotos: Divulgação)

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