7,5 é a nota dada pela população de Nova Aliança na série “Raio-x da Saúde”

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Em continuidade à série de reportagens da Gazeta do Interior “Raio-x da Saúde”, onde a população avalia como anda a saúde pública do município, esse mês de dezembro nossa reportagem mostra a cidade de Nova Aliança. Com a nota mais alta das quatro cidades avaliadas até agora, moradores deram 7,5 e consideram o Sistema Único de Saúde bom ou ótimo.

Uma cidade como Nova Aliança, onde tem 6,063 mil habitantes, não era para ter problemas, mas saúde pública, em qualquer lugar, sempre vai haver falhas que não agrada o cidadão. O município tem 100% da população atendida pela rede pública de saúde e cerca de 10 a 15 % dos moradores tem algum tipo de convênio médico.

Diminuindo o fluxo de atendimentos, o que pode se esperar é que a qualidade do serviço aumente e a espera por uma consulta diminua. Isso pelo menos na teoria, na prática a realidade é outra. O paciente que é consultado na rede particular, nem sempre prefere comprar o remédio e acaba adquirindo na farmácia gratuita.

Direito a medicamentos ou consultas médicas todo o cidadão tem, porém os governos Estaduais e Federais realizam um caçulo mínimo de repasse e o que acaba refletindo nos postos de saúde de cidades pequenas, pois nem sempre o município tem condições de bancar esse atendimento.

É o caso de Nova Aliança. Na cidade os moradores quase não reclamam da falta de medicamentos, mas para não ocorrer essa falta, quem arca com essa conta é a própria prefeitura, pois o dinheiro repassado nunca é o suficiente. Segundo a coordenadora de saúde da cidade, Maria Alice Vitoriano, o governo disponibiliza, por mês, R$ 1,380 mil para compra de remédios.

“Tivemos uma paciente transplantada aqui que precisava de 36 caixas de Cinacalcet por seis meses e que custava R$ 25 mil. Temos casos de uma única paciente com receita de insulina que custa R$ 800 só dela. Então quem acaba arcando com as despesas é o município”, diz.

O aposentado João Domingo Côco é um dos exemplos que afirma não sentir falta de medicamentos na cidade. “Sou hipertenso e tomo de oito a dez tipos de remédios. Sempre passo lá para pegar e nunca faltou nenhum, sempre eles me entregaram todos”, afirma.

Para atender toda a demanda da população, a coordenadora diz que recebe verba do governo Federal e Estadual, estimada anualmente em R$ 1 milhão, o que dá pouco mais de R$ 83 mil mensais.

Quem reclama da saúde de Nova Aliança infelizmente ainda tem razão. A cidade conta apenas com duas unidades de saúde e dois clínicos gerais para atenderem mais de 8 mil pessoas. Uma unidade fica no distrito de Nova Itapirema, outra fica na cidade e uma unidade de urgência e emergência que atende até às 22h00 toda a população.

O distrito tem pouco mais de 2 mil moradores e tem uma unidade de saúde e um clínico geral. Os outros 4 mil habitantes moram na cidade e dependem unicamente de uma unidade de saúde e de apenas um médico. “Já estamos trabalhando para sanar esse problema. Temos aqui ao lado da central de saúde que é a terceira unidade que vai atender toda a demanda que ainda emperra nosso atendimento. Espero que até fevereiro de 2014 esteja funcionando”, explica.

Além dos dois clínicos gerais, o município tem também um ginecologista, um pediatra, um psiquiatra, um dermatologista e um médico de ultrassom. Cada especialista desse, ganha em média, cerca de R$ 8 mil por mês para trabalhar de seis a oito horas por dia.

“A população pode reclamar que até não gosta do médico e que eles sejam mal educados, mas falar que falta médico aqui não existe. De quando assumi a coordenadoria, nunca faltou um médico. Eles sempre atendem toda a população”, diz.

A cidade tem quatro ambulâncias em estado regular de conservação, além de um convênio com uma unidade do SAMU. Para 2014, uma nova ambulância adquirida com verba vinculada deve chegar para atender o município. A Unidade de Suporte Básico vai atender 24 horas com médico, socorrista e um técnico.

Questionada sobre a principal reclamação que ouve dos moradores, Maria Alice afirma que é a demora no agendamento com especialistas. “As linhas de cuidado tem que ter acompanhamento de rotina, o que pode demorar até 30 dias. Isso ainda gera reclamação entre os usuários. Com essa nova unidade que chega em 2014, essa demora vai ser de no máximo dez dias”, afirma.

Um problema encontrado pela nossa reportagem foi a quantidade de guias encalhadas também em Nova Aliança. Ao todo são mais de 350 documentos esperando agendamento em pelo menos 22 especialidades médicas em São José do Rio Preto.

Fato este que não acarreta culpa para os municípios pequenos. A cidade tem disponível por mês 8 cotas médicas com ortopedista e tem uma demanda de 60 guias esperando por agendamento.

Oftalmologia tem 10 vagas e 200 pessoas na fila esperando por uma delas. Questionada sobre a possível contratação de um médico especialista, como o ortopedista, por exemplo, a coordenadora diz que o município não tem condições de arcar com as despesas geradas em uma pós consulta. “Se a gente contratar não vamos aguentar pagar tudo o que um médico pede. Tudo custa muito caro, principalmente na ortopedia e na oftalmologia. Se 15 pessoas vieram com pedido de ressonância, por exemplo, eu quebro o município”, afirma.

Um problema que aparenta não ter fim e que o jornalismo da Gazeta do Interior não vai parar de mostrar e tentar cobrar melhorias do poder público.

“O que fica claro é que o Governo Federal só joga mais e mais impostos para nós pagar e investe uma miséria na saúde, na educação e na segurança. A prioridade deles agora é a Copa do Mundo, não é?”, questiona João Côco.

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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